quinta-feira, 19 de março de 2009

Je-suuus, cadê você?

Ultimamente, eu estou ficando consciente do significado de "Salvador" da Bahia. Tudo bem, esta cidade é "salvada"...mas salvada de que?


1. Pobreza? Não. Um monte de favelas indica ao contrário.


2. Crime? De jeito nenhum...cada dia eu ouço novos casos de assalto, sequestro, até assassinato (ok, estou exagerando um pouco, mas acontece).


3. Corrupção? Não. Olhe para o policial que bate em um menino por estar num lugar suspeito ao tempo errado.



4. Doença? Não preciso dizer quantas pessoas em Salvador acabaram de morrer de dengue...



5. Desigualdade racial? Algumas pessoas diriam que sim, mas não parece justo para mim que a grande maioria racial quase não tem lugar entre os mais ricos da cidade.



Tudo isso quer dizer que Salvador (como qualquer outro lugar no mundo) ainda sofre de grandes problemas sociais, econômicos e políticos. Isso é normal. O que faz de Salvador algo diferente para mim, é que está completamente cheio de igrejas, até o nome da cidade explode com lembranças de Deus. Mas para quê? Ainda que seja a capital religiosa do Brasil (e também a primeira capital política, e uma das cidades mais antigas), Salvador não é uma das cidades mais desenvolvidas do país. Eu gostaria de saber: cadê Deus nesta situação?



Eu entendo que tem várias explicações por Salvador ser assim--não necessariamente tem tudo a ver com religião. Mesmo sabendo disso, quero entender por que a cidade de "Salvador," com as 365 igrejas e todos os crentes que ficam lá dentro, não parece que tem sido resgatada de nada? Tenho que admitir que eu não acredito em Deus. Também não quero dizer que religião de qualquer forma faz mal. Mas eu tenho muito dúvida--e então interesse--do papel "positivo" da igreja em Salvador. A fé pode ser uma coisa boa, até ela se torna uma complacência. E é exatamente isso que me dá medo...a possibilidade que, em vez de melhorar a situação de pobreza e injustiça aqui em Salvador, esta fé realmente impeça o progresso social por deixar a responsibilidade com Deus. Por exemplo, para quem não tem comida, dinheiro ou condições suficientes para receber uma educação adequada: se ele acredita que só precisa ter mais fé e frequentar a igreja para que depois tudo vá dar certo, ele pode ficar um pouco preso naquela fé. Se Deus dá bastante para quem tem fé, de onde aparece o impulso para trabalhar e lutar para criar programas socias e melhorar condições injustas? E se a cultura em geral aceita este tipo de pensamento--e mais ainda, o reforça--quem tem menos vantagem na vida hoje vai manter aquele posição de inferioridade para sempre.



Pode ser que eu esteja contorcendo a lógica por chegar nessas conclusões, mas mesmo assim, eu quero investigar este poder mistérioso da igreja em Salvador, através de entrevistas, observações e pesquisas na literatura que já existe neste assunto.

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